Chegamos em Dezembro. E agora?

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Claro que 2020 foi um ano difícil, não da para negar isso em nenhum cenário. Mas houveram coisas boas também: tivemos preços recordes durante a safra, qualidade foi boa, clima ajudou na colheita. 

Fato é que com a safra 20/21 concluída, começam as incertezas sobre a safra 21/22. Na cafeicultura, pelo menos dois pontos devem ser destaque neste final de ano: produção e estoques.

Julgo que ainda é cedo para falar em número de safra, mas com certeza teremos uma safra menor por três fatores:

  1. Bienalidade negativa, já que este ano foi ano de safra alta no Brasil.
  2. Falta de chuva, que tem afetado não só o cinturão de café, mas também o de grãos no Centro-Oeste e;
  3. Capitalização do produtor, que aproveitou os dois fatores anteriores e intensificou a renovação de áreas mais antigas e de menor produtividade. 

No entanto, temos pesos do outro lado da balança que podem, de certa forma, ajudar a contrapor essa pressão negativa na produção:

  1. Grande estoque de passagem, que é o volume de café estocado que passa de um ano para o outro.
  2. Melhora nos tratos culturais que as lavouras podem receber neste ciclo, fruto dos bons preços obtidos na comercialização deste ano e que devem voltar para a lavoura na forma de uma melhora nos tratos culturais.

Acredito que em Janeiro teremos uma visão mais clara de tudo isso. 

Até lá, é interessante ficar de olho no dólar, que deve perder força com um cenário mais otimista. O que contribui para isso? Uma transição amena na presidência da Casa Branca, nos EUA; várias vacinas para COVID entrando no mercado ainda este ano (temos ao menos 4 já prontas para distribuição); bons sinais de recuperação econômica mundo afora e por último, mas não menos importante, a aparente melhora do cenário fiscal no Brasil. 

Veremos.

Thales Consentine – Caffeex Tecnologia