Falhar e corrigir: a dupla do sucesso

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Quando foi a última vez que falhou feio, e fez disso um aprendizado? Vivemos uma cultura onde falhar é mal visto, errar é proibido e condenamos veementemente quem tentar fazer disso um aprendizado. Essa tradição começa a ser ensinada em casa, ainda pequenos, evolui na escola e universidade, e cola grau quando chegamos ao mercado de trabalho, de formas às vezes tão brutais que condenam uma carreira inteira, um relacionamento promissor ou, uma empresa.
 

Semana passada, o teste do protótipo SN9 da SpaceX foi uma aula de como não se intimidar com um erro. Basicamente, a meta do teste era: pegar a nave de 50 metros de altura e colocá-la a 10 km de altitude, e depois aterrizar em segurança. A primeira parte do teste saiu como o planejado: a nave chegou aos 10 km, mas a parte de trazê-la de volta (inteira) não foi muito bem concluída. Assim como sua predecessora SN8, que explodiu quando tentou aterrizar, a nave SN9 não conseguiu concluir as manobras de pouso e se espatifou no chão, numa explosão digna de qualquer filme de Hollywood.
 

Ok. Até aí, tudo certo, mas a SpaceX foi além, e transformou tudo em um grande evento nas suas redes sociais, mostrando aos quatro ventos o tamanho da “falha” que havia ocorrido. Por que fizeram isso? Porque falhar faz parte do processo!
 

Se você não sabe, o negócio da SpaceX é simples: reduzir o custo de lançamentos de pessoas e cargas ao espaço, reaproveitando o foguete. Isso reduz o custo de uma viagem em incríveis 95%, possibilitando uma era totalmente nova nas viagens espaciais. Ela já faz isso muito bem com pequenas cargas, mas quer elevar seu jogo e criar uma nave capaz de ir à Lua ou Marte. Não se trata de fazer a mesma coisa com um foguete maior. É um desafio completamente novo.
 

Falhar faz parte de todo processo de criação e evolução, seja ele qual for. Pode ser lançar um foguete ao espaço, mas pode também ser encontrar um varietal de café mais apropriado a uma determinada área, descobrir qual o melhor método de irrigação para sua fazenda, ou mudar os processos comerciais da empresa. Talvez o resultado não venha na primeira tentativa, mas com certeza ele pode ser alcançado por meio de correções com o decorrer do tempo.
 

Temos que mudar nossa cultura de premiar os acertos, mas penalizar os erros que fazem parte da aprendizagem. Entender que fracasso/sucesso andam juntos, lado a lado, e que nenhuma conquista é alcançada sem assumir riscos que, às vezes, não geram resultados imediatos.

Thales Consentine – Caffeex Tecnologia